
Os jornais têm publicado, a respeito das prisões de Celso Pitta, Daniel Dantas e Nagi Nahas, que a Polícia Federal está dividida, com um grupo que defende caminhos diferentes para a mesma, no tocante às operações realizadas. Nessa divisão, uns desejam que seja feita uma blindagem das autoridades superiores, outra ala não, quer prender doa a quem doer. Uns defendem a divulgação escandalosa das ações contra criminosos em geral, e mais ainda quando for de gente pública, outros não. Nisto tudo, do meu ponto de vista, duas coisas são entristecedoras, ainda mais para mim, fundador do atual DPF. A primeira é a politização do órgão. De forma alguma a PF pode ser polícia do governo. Deve ser (pela Constituição) polícia do Estado, ou seja, ainda que ela pertença a uma estrutura governamental, não pode ser usada para os interesses de quem está chefiando o governo. Isto tem sido feito, e é por isso que ela está, já há alguns anos, dividida, pois os delegados querem o seu grupo político no poder; assim, receberiam os cargos de chefia e ganhariam mais dinheiro e prestígio (aaaahhh, a vaidade mata...). Faz falta um Hoover no comando, e uma ideologia como a dos USA, que permitiram um FBI do Estado, que nunca serviu aos governantes. É certo que correrá o risco, como está correndo agora o Ministério Público, de virar um super-poder, mas é melhor que ser um órgão partidário, como está sendo. O outro comentário é quanto a uma insubordinação, fruto dessa politização da PF, pois, segundo os jornais, o diretor geral não tem conhecimento das operações montadas no departamento de inteligência (do qual fui um dos criadores). Isso é um absurdo, e esses dois fatos estão dividindo o DPF em vários segmentos, minando uma instituição importantíssima, envenenando seus integrantes pela divisão de comportamentos e formação de grupos, integrantes que devem lealdade a seus cabeças e não mais à pátria, ao ordenamento constitucional. É o início do fim, pois daí às mortes misteriosas (já ocorreram algumas de delegados), e a ser um monstro indomável, com várias cabeças, é questão de tempo. Madeira
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